terça-feira, 23 de novembro de 2021

ALÉM DA MORTE

 


Fecho os olhos num sonho que me leva

Às paragens divinas da saudade,

Lá onde a noite é apenas claridade

Dando origem talvez a nova treva.

Fecho os olhos e avisto a Eternidade,

Lá onde um sol fantástico se eleva

Num perpétuo fulgor, sem que descreva

Sua órbita de luz na imensidade.

Fecho os olhos e vejo a minha imagem

Anoitecendo os longes da paisagem,

Como a única sombra que persiste...

Sou eu! sou eu aquele vulto errando!

Sou eu, além da morte ainda sonhando

Na tua graça e neste amor tão triste!...

 

Anrique Paço d' Arcos

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