terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Les enquêtes de Monsieur M: John Mateer, poet




Houdini – rope

Totem – Africa

Stradivarius – heart-beat

Casablanca – pause in a journey

Mao – small, red book

Cro-Magnon – large American car

Haiti – revolution

Bonbon – silver wrapping paper

Alka-Seltzer – waterfall


Essa admirável, flexível, tão modesta, capacidade de se abraçarem de costas, onde foram buscá-la, ó filhos do bom Deus?
Nem Friedrich Ludwig Jahn, o romântico pai da ginástica patriótica, ousou pretender mais que uma Alemanha em espargata,
ao passo que vós, poéticos burgueses de todas as liberdades, que emanam da cerveja ou de consciências dominicais,
quereis impor-nos desportos impossíveis, como a amizade em toque de estafeta e a natação dessincronizada.

Parada ideal dos indivíduos em massa, mural renascentista e arte povera, procissão da fé agnóstica ou herética,
eis-vos pelas ruas, pelos jornais, muitos e um só, em solidariedade multidireccional.
Aparentemente, é uma evidência colectiva que essa trompete de pistões ferrugentos é bisneta de Bach por aborto espontâneo,
e que ou bem que o velho mestre se revê nessa estúrdia ou não há que hesitar em chamá-lo à pedra, a ver se tem sentimentos pelos arbustos.

Eu, que andava para trás com o olhar no tempo e um ponto de interrogação tatuado na nuca,
embati num murete e acho-me parado — a morte marca passo neste sítio inexacto,
atoleiro de andores demasiado leves para a ciência da guerra, pirómanos basbaques e fogos de artifício.
Mas, entretanto, leio; entretanto, creio. Nada me demove de sofrer. Um velho rebentando de alegria.

Miguel Martins
15/01/19

Alicia Framis

domingo, 13 de janeiro de 2019





Salários

O salário do trabalho é dinheiro.
O salário do dinheiro é querer ter mais dinheiro.
O salário de querer ter mais dinheiro é uma competição feroz.
O salário da competição feroz é – o mundo em que vivemos.

O círculo trabalho-dinheiro-querer é o círculo mais vicioso
que algum vez tornou os homens em demónios.

Ganhar um salário é uma ocupação prisional
e um assalariado é uma espécie de pássaro de gaiola.
Ganhar um salário é um trabalho de guarda de prisão,
o carcereiro ao invés do pássaro de gaiola.

Viver dos seus próprios dividendos é passear grandiosamente fora da prisão
com medo de ter de ir para lá. E visto que a prisão do trabalho cobre
quase todos os cantos da terra, caminha-se para cima e para baixo
a passo curto, quase o mesmo de um prisioneiro a fazer exercício.

A isto se chama liberdade universal.

D. H. Lawrence
(tradução: João Concha e Ricardo Marques)

sábado, 12 de janeiro de 2019

Today: Lisbon



1) Coffee at Café de Finca;



2) Photo exhibition by Helena Corrêa de Barros at the Arquivo Municipal de Lisboa;



3) Art installation by Ana Jotta at Estação do Rossio.

New Vaudeville Band - Winchester Cathedral

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019


Bertel Thorvaldsen




Carl Maria Von Weber (1786-1826) - Der Freyschutz




Tomando chá, em companhia
Falavam muito de amor,
Os senhores, apaixonados pela estética,
As senhoras, pelas coisas do coração.

“O amor, quero-o platónico!”
Diz o Conselheiro magro e seco.
E a Conselheira suspira
Com um ar cheio de ironia “Ai de mim!”

O Cónego num tom sonoro
Proclama: “Nada de amor brutal!
Para a saúde é muito prejudicial.
— Como?», sussurra a donzela.

A Condessa está triste e exclama:
“O amor é uma paixão!”
Enquanto oferece, com um ar amável
A chávena ao senhor Barão.

Heinrich Heine
(tradução: Joel Serrão)

Schnorr von Carolsfeld


(Thanks, Tomás.)

Ontem: bolo D. Amélia (Açores) & Vinha da Valentina Reserva Signature


(Thanks, Mirandas.)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019