terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Vasco Gato sobre João Paulo Cotrim

Ainda no tapete. No meio de livros, claro. Ideias mirabolantes onde podiam entrar música, preciosidades italianas. Conversas em que pendulavas entre o muito que conhecias (sem alarde, sem alarde) e o muito que procuravas ainda. Mensagens trocadas a propósito de uma certa paixão verde que nos unia. O eterno retorno do almoço, do encontro, da congeminação. Uma grande desconfiança em relação aos trâmites do mundo. E, a par, uma navegação elegante, congregadora, rente ao precipício. Rir? Rir, sem dúvida. Por mais que isto ou aquilo doesse. E dói. Talvez não tenhamos sido os mais íntimos (ou fomo-lo de uma intimidade fulgurante, saltitante no calendário), mas tínhamos em pleno a frequência de uma linguagem desimpedida e cúmplice. Um gosto pelo que era possível e aconteceu, pelo que muito dificilmente seria possível, mas que é fundamental namorar para que não se espapace a carne dos dias. É a beleza disso e a raridade disso — tuas, porra — que agora me estende ao comprido no tapete desta canalhice que, para te ser franco, fizeste. Tinhas, com tantos, tudo combinado. E agora? Vamos ter de voltar a falar sobre isso, certo?


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