segunda-feira, 13 de abril de 2026

 

Trocam a alma pela vida; naturalmente, depois, nem alma nem vida

— só electrodomésticos, uma auto-estima cotada em bolsa,

uma vegetação rasteira de afectos à medida das redes sociais.

Dos discos da adolescência, (no melhor dos casos) uma memória reprimida;

quanto à guitarra, quando teriam tempo é difícil comprar cordas.

Só a Realpolitik não é para tolos ou para génios nefelibatas

com que não ousam comparar-se e que, em todo o caso, nunca levarão a água

ao seu (deles) moinho, pelo que o melhor é mantê-los em casa, (no máximo)

com uma manta e um quantum satis de espumante e ovas de salmão.

Trocam a alma pela vida; a sua alma (também) pela nossa vida.

 

Miguel Martins

13/04/26

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