sexta-feira, 26 de junho de 2026

 


Demoraste muito, desta vez,

cheguei a pensar que te perderas

na crispada brancura da neve.

Uma luz anónima,

de fotografia antiga, é agora

a tua. Já não terás outra.

Nem outro silêncio por vestido

a defender-te do frio.

Há no entanto no teu olhar

certo orgulho velado,

como se a claridade

fosse a tua casa, a tua

idade. E a rosa

que sempre vi na tua mão

ainda lá está, embora apagada.

Nada pergunto, nada me dizes,

mas um sorriso breve brilha na sombra.

Anónima, não tarda

que a luz te proteja e leve.

 

Eugénio de Andrade

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