Demoraste muito,
desta vez,
cheguei a pensar que
te perderas
na crispada brancura
da neve.
Uma luz anónima,
de fotografia antiga,
é agora
a tua. Já não terás
outra.
Nem outro silêncio
por vestido
a defender-te do
frio.
Há no entanto no teu
olhar
certo orgulho velado,
como se a claridade
fosse a tua casa, a
tua
idade. E a rosa
que sempre vi na tua
mão
ainda lá está, embora
apagada.
Nada pergunto, nada
me dizes,
mas um sorriso breve
brilha na sombra.
Anónima, não tarda
que a luz te proteja
e leve.
Eugénio de Andrade

Sem comentários:
Enviar um comentário