Extra Light
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Cahiers Victoriens & Édouardiens
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Poema do alegre desespero
Compreende-se que lá
para o ano três mil e tal
ninguém se lembre de
certo Fernão barbudo
que plantava couves
em Oliveira do Hospital,
ou da minha virtuosa
tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato
toda vestida de veludo
sentada num canapé
junto de um vaso com flores.
Compreende-se.
E até mesmo que já
ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto
(o Alto Império, o
Médio Império e o Baixo Império)
com muitos faraós,
todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,
e o Estrabão, o
Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,
e o desfiladeiro das
Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,
e os reis de barbas
encaracoladas que eram senhores de muitas terras,
que conquistavam o
Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,
e passavam a vida
inteira a fazer guerras,
e quando batiam com o
pé no chão faziam tremer todo o palácio,
e o resto tudo por aí
fora,
e a Guerra dos Cem
Anos,
e a Invencível
Armada,
e as campanhas de
Napoleão,
e a bomba de
hidrogénio.
Compreende-se.
Mais império menos
império,
mais faraó menos
faraó,
será tudo um
vastíssimo cemitério,
cacos, cinzas e pó.
Compreende-se.
Lá para o ano três
mil e tal.
E o nosso sofrimento
para que serviu afinal?
António Gedeão
(Thanks, Filipe.)
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Tous les matins du monde
O olhar erra. Erra porque falha
e erra (e falha) porque deambula,
afastando-se da essência, acima
(e abaixo) de tudo o mais. Assim
errei (e erro) sempre que penso
no que não seja a luz espectral
que emana da tua memória,
única redenção possível da fé
na ciência dos dias, como se estes
pudessem fender a cápsula
de mistério que trazias na mão
sem sequer chamares a atenção
para ela, sem sequer chamares
a atenção para ti, cordeiro
sacrificial que não soube venerar.
O olhar erra. E eu errei. Por não
me saber cegar com os teus dedos,
por estar sedento de mundo,
aleivosia. E, agora, só me restam
lágrimas, só elas me matam a sede,
a terrível sede de uma distância
infinda como sepultura que chegasse
aos antípodas, ao fundo do fundo
do vazio, outrora tão cheio como
o imorredouro eco da tua voz,
do teu riso, bênção traçando a giz
todas as manhãs do mundo.
Miguel Martins
21/01/2026
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
domingo, 18 de janeiro de 2026
Mohin ud din Dagar and Amin und din Dagar – Alapa (Alain Danielou, 1955)
sábado, 17 de janeiro de 2026
O Museu de Marinha inaugurou a exposição temporária "Salvando Vidas do Mar – Portugal Neutral Num Mundo em Guerra (1939–1945)”.
A exposição “Salvando Vidas do Mar”, que estará em exibição entre os dias 16 de Janeiro e 18 Outubro de 2026, recorda através de objectos, documentos e testemunhos históricos, o esforço desenvolvido por Portugal durante a II Guerra Mundial, desempenhando um papel fundamental na salvaguarda de vidas humanas no mar, com a participação activa dos homens do mar que navegaram em oceanos marcados pela guerra.
Cerca de 6.000 pessoas, de um número indeterminado de nações,
provenientes de navios de 12 nacionalidades diferentes, foram salvas sobretudo
nos oceanos Atlântico e Índico.













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