sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Não li, mas, em princípio, estou de acordo


 


 

António Palolo




 

No Star Crime


 

Cahiers Victoriens & Édouardiens



Fondée en 1974, Cahiers victoriens et édouardiens est une publication de l’université Paul-Valéry Montpellier dont le champ d’étude couvre l’histoire, la culture, la littérature et les arts britanniques sur la période 1837-1914.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

The Great Smog of London, 1952




 


 

Poema do alegre desespero

 


Compreende-se que lá para o ano três mil e tal

ninguém se lembre de certo Fernão barbudo

que plantava couves em Oliveira do Hospital,

 

ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores

que tirou um retrato toda vestida de veludo

sentada num canapé junto de um vaso com flores.

 

Compreende-se.

 

E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto

(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)

com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,

e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,

e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,

e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras,

que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,

 

e passavam a vida inteira a fazer guerras,

e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,

e o resto tudo por aí fora,

e a Guerra dos Cem Anos,

e a Invencível Armada,

e as campanhas de Napoleão,

e a bomba de hidrogénio.

 

Compreende-se.

 

Mais império menos império,

mais faraó menos faraó,

será tudo um vastíssimo cemitério,

cacos, cinzas e pó.

 

Compreende-se.

Lá para o ano três mil e tal.

 

E o nosso sofrimento para que serviu afinal?

 

António Gedeão

(Thanks, Filipe.)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Tous les matins du monde

 

O olhar erra. Erra porque falha

e erra (e falha) porque deambula,

afastando-se da essência, acima

(e abaixo) de tudo o mais. Assim

errei (e erro) sempre que penso

no que não seja a luz espectral

que emana da tua memória,

única redenção possível da fé

na ciência dos dias, como se estes

pudessem fender a cápsula

de mistério que trazias na mão

sem sequer chamares a atenção

para ela, sem sequer chamares

a atenção para ti, cordeiro

sacrificial que não soube venerar.

O olhar erra. E eu errei. Por não

me saber cegar com os teus dedos,

por estar sedento de mundo,

aleivosia. E, agora, só me restam

lágrimas, só elas me matam a sede,

a terrível sede de uma distância

infinda como sepultura que chegasse

aos antípodas, ao fundo do fundo

do vazio, outrora tão cheio como

o imorredouro eco da tua voz,

do teu riso, bênção traçando a giz

todas as manhãs do mundo.

 

Miguel Martins

21/01/2026

Reinette L'oranaise - Aadrouni Ya Sadate

Jean-Baptiste Charcot




 

domingo, 18 de janeiro de 2026


 


 

John James Audubon



 

Philippe Arthuys - Boite À Musique [1957]

Mohin ud din Dagar and Amin und din Dagar – Alapa (Alain Danielou, 1955)


Anthologie de la Musique Classique de l’Inde The Alain Danielou Collection, 1955 Ducretet-Thomson (320 C 096-7-8) 3 LP Boxset "First released in 1955 by Ducretet-Thomson (EMI), the LP anthology is said to be the "first of this music to become available in the West in which the recorded pieces were not presented as 'folklore' but as 'serious' music." In 1997 it was digitally re-mastered and issued by AUVIDIS-NAÏVE as a 3-CD set in homage to Alain Daniélou (1907-1994), the prime mover of the legendary UNESCO Collection of Traditional Music. The set includes the first recordings published in the Western world of Ravi Shankar and Ali Akbar Khan. In addition to a short biography of Daniélou and his influence on Asian music and cultural heritage, liner notes include detailed explanations of the scales, rhythmic ideas, and instrumentation used in each song." - Folkways

Um livro de uma amiga, editado por outra amiga e apresentado por dois amigos no bar de outro amigo


 


 

sábado, 17 de janeiro de 2026

Um vinho que o meu pai bebia


 

Conlon Nancarrow: String Quartet No 3 (1987)


 

 


O Museu de Marinha inaugurou a exposição temporária "Salvando Vidas do Mar – Portugal Neutral Num Mundo em Guerra (1939–1945)”.

A exposição “Salvando Vidas do Mar”, que estará em exibição entre os dias 16 de Janeiro e 18 Outubro de 2026, recorda através de objectos, documentos e testemunhos históricos, o esforço desenvolvido por Portugal durante a II Guerra Mundial, desempenhando um papel fundamental na salvaguarda de vidas humanas no mar, com a participação activa dos homens do mar que navegaram em oceanos marcados pela guerra.​​​

Cerca de 6.000 pessoas, de um número indeterminado de nações, provenientes de navios de 12 nacionalidades diferentes, foram salvas sobretudo nos oceanos Atlântico e Índico.