quinta-feira, 14 de maio de 2026

"A MINHA AGENDA, A MINHA AGENDA..."

2 de Setembro – Feira do Livro do Porto – A Poesia do Rock – Miguel Martins e João Menezes Ferreira

9 de Outubro – Fólio, Óbidos – O Espectáculo Mais Pequeno do Mundo – Miguel Martins, Richard Price, José Anjos

10 de Outubro – Fólio, Óbidos – O Espectáculo Mais Pequeno do Mundo – Miguel Martins, Richard Price, João Pedro Viegas

16 de Outubro – Fólio, Óbidos – O Espectáculo Mais Pequeno do Mundo – Miguel Martins, Rocío Matosas, José Anjos

17 de Outubro – Fólio, Óbidos – O Espectáculo Mais Pequeno do Mundo – Miguel Martins, Rocío Matosas, João Camões

7 de Novembro – Galeria Safra, Lisboa – Noite de Jazz & Poesia – Miguel Martins, António de Castro Caeiro, João Moita, João Menezes Ferreira, Alex Cortez, Ravenna Escaleira, João Madeira

Ao que, ainda sem datas certas, muito provavelmente se acrescentarão dois concertos de A Favola da Medusa e o lançamento de uma novela escrita a meias com o Filipe Homem Fonseca.


Sete poemas meus...

 ... que retirei da net (isto é, que não tive de datilografar), uns com mais de 30 anos, outros com meia dúzia.

SEIS POEMAS PARA UMA MORTE

 

1

 

Que importa o que não temos

quando a vida leva tudo o que nos dá

e a morte restitui-nos ao silêncio.

 

2

 

Naquele dia choveu ao contrário

a chuva fina e o seu silvo subiam do chão

e eu caindo da janela

sem um raio de sol que me amparasse.

 

3

 

Na noite clara da tua morte Pai

parto de vez para a margem da brandura

Levo nos olhos esta luz de dor

feixes opacos medas de cansaço

(como as que carregavas)

seara que nasce no sonho condenada

quando na alma a chama esmoreceu

Chegou-me a mim: já nada perdura

Querias saber o que era aquele nada

contra o qual lutava – sou eu

vazio de ti. Poupámos o Futuro.

 

4

 

Nem umas palavras de despedida

nem “adeus”

Será que depois nos encontramos

na terra linda onde são as coisas que não são

sem medo do fim?

Já moras, Pai, com o teu Cristo

o Cristo que nos salvou a todos

por termos alguém como tu.

Nunca te disse bem quanto te amava

como te amo muito dentro de mim

na terra linda onde são as coisas que não são

com tanto medo de as perder.

Estar a fazer a barba, cair

e partir para o outro lado

sem dizer tudo o que é preciso.

Ou como tu ficar assim à espera

suspenso de nada

à porta de Deus como um pedinte

pedinte de Deus

que só nos pediste que fôssemos melhores

e talvez por isso nos dás ainda mais uns minutos

da tua eternidade.

Vai agora, parte por favor

vai viver com as estrelas e com a alma das flores.

Sei que todos os dias continuarás a madrugar

para colher os odores mais puros.

Já não são precisos sacrifícios

aí é tudo dado num natal perpétuo e permanente.

Até nós te nos vamos dar

como tu te nos deste, como te entregaste cada dia

de manhã à noite

a Mãe

a Paula

o Ricardo

e eu

(por outra ordem espero que não esta

que eu não aguento mais)

vamos voltar a tocar-te o cabelo

o cabelo mais lindo que conheço

e a beijar-te

(como é possível que beijos tão a medo

como os teus quisessem sempre dizer tanto?).

E olha que se eu aí chegar

a essa terra que não mereço

é mesmo só por ti

é para te ver e ficar espantado

como só nos espantamos com os anjos.

Adeus Pai

tem calma.

Eu pensarei em ti todos os dias.

 

5

 

Tinhas-nos a nós

como nos querias

não como nós somos

Partiste

olhando o ar

pensando o Vago

escutando o Ser

na boca o Fluido

a essência do Sangue

nós

em tudo isso nós

o imenso Amor

Em que pensaste, Pai, nessa semana

em que soubeste tudo isso

que dizias há tanto

e que os homens procuram?

O teu olhar tão calmo

as tuas mãos

só diziam Amor

e a respiração era a de que ele é feito:

com a Mãe

sabe Deus e o vosso Amor quando

connosco

dia a dia e a desoras

com tanta gente

que eu nem adivinho

na mudez superior de quem é grande

Toda a vida

só fizeste Amor

Perdeste a Palavra e o Movimento

usa o meu corpo se isso for possível

Nunca será a mesma coisa

mas vou portar-me bem

(a gente cá sabe o que isto quer dizer)

Há que roubar as flores ao abandono

 

6

 

Guardo o brilho baço dos teus olhos

de seres inteiro em cada coisa

o Ritual dos dias conhecidos

e a alegria desentranhada

do fundo da eternidade

que é a bruma de Deus.

Guardo a entrega funda de saber

que a revolta não tem princípio nem fim

e aquela altivez tão especial inapercebida

que pode haver na submissão

de estarmos à frente dos homens e do tempo

viver como quem morre cada dia

 

e estarmos mortos como quem está vivo.


 

Aldeia

 

Adoro as levadas caudalosas serpenteando por entre avencas, levando consigo pequenos blocos de terra, ensopando a terra, matando a sede a raízes que mais parecem teias de aranha cujo centro se esconde a vários palmos de distância ou longilíneas tarântulas.

Adoro os Verões iniciáticos, a aprendizagem de caminhos e trabalhos sob as copas densas, os banhos na represa por entre libélulas e alfaiates e o esgar de nojo quando, da ponte, se avista lá ao fundo um gato morto preso nas silvas das margens de água límpida.

Adoro os invernos laboriosos, as encostas escorregadias, a lama nas botas, a misteriosa caminhada até cada courela, o gesto medieval que ceifa o talo à couve, o toucinho na salgadeira.

Adoro o regresso do ruído, a chegada das crianças da cidade, adoro vê-las subir às amoreiras, as mãos miúdas confiando em nós de madeira centenária, enquanto os pais me visitam na adega, cortamos uma broa e abrimos uma garrafa de morangueiro fresco.

Adoro as casulas e os paramentos na sacristia e o pó que os cobre nos meses de ausência do padre e o branco nu da capela e a pedra nua de todas as outras casas, que é da cor das folhas de tabaco secas da plantação que o Eduardo tem ao fundo do povo e esconde dos fiscais (ele que já viu mais mundo que todos os fiscais da região e trabalhou na PanAm e foi aos Estados Unidos).

Adoro as trutas apanhadas à mão e o viveiro de trutas, nossa única indústria desde que ruiu o moinho de água e só Deus sabe quanto isso me custou e custa, saber que não mais sentirei o cheiro do milho acabado de moer.

Adoro as idas à mercearia da aldeia vizinha e a pouquíssima variedade de produtos que aí se encontra, como se estivéssemos em tempo de guerra ou o século XX não ousasse começar por aqui.

Adoro os fogões a lenha, as enormes arcas de nogueira, os colchões de palha de milho confortavelmente concavados por décadas de hóspedes e a remota possibilidade de serem do tempo em que João Brandão, “o terror das Beiras”, se acoitou nestas casas.

Adoro os audazes mergulhos da ponte metálica coberta de caganitas de cabra e as cabras e a mão desusada que as conduz e que sabe amar quando é chegada a noite ou quando é chamada a iluminar um recanto de sombra.

Adoro as lamparinas e os morcegos que vêm chupar o azeite das torcidas, o cheiro das queimadas e o cheiro do tojo acabado de roçar, e as pequenas manchas roxas que as amoras esmagadas imprimem no chão.

Adoro as ameaças e as benesses do céu e a certeza de que nelas se escondem todas as respostas da irrevogável vontade de Deus e adoro como uns são pais dos filhos dos outros e deixam Deus fora da questão e não pegam em espingardas.

Sim, adoro esta aldeia sem caçadores em que os pardais só temem os espantalhos e os gritos que ecoam desde o outro lado das montanhas.

Adoro o tio Alfredo, que espantava as almas penadas, batendo com uma corda nas costas, e o primo Alfredo que trabalha tanto como quem trabalha mais e mimetiza o mesmo gesto para afugentar as dores que isso lhe dá por todo o corpo.

Adoro a iniciação sexual dos rapazes, quase sempre com outros rapazes, anos antes de terem uma rapariga, o que só acontece aos doze anos e depois não quer dizer nada, que é como quem diz, fica vida fora.

Adoro o orvalho desenhando folhas de plantas nos vidros das janelas e janelas nas folhas das plantas e a nitidez de todos os veios destas e de todas as veias na pele das mulheres, que nunca tomaram banhos de sol e sempre cobrem as cabeças com lenços ou chapéus de palha.

E adoro-vos a vós que nunca vistes nem vereis a minha aldeia e acabais de a adoptar pelo útero.


 

[Uma caixa de cimento fresco. Deita-o]

 

Uma caixa de cimento fresco. Deita-o

lá dentro. Mete-te na mota, arranca, não

penses mais nisso. A sul, há mulheres

cujo futuro é um avião que não deixa

traços no céu. A norte, se preferires,

há-as engarrafadas, em decilitragens

as mais diversas. Com os homens

é a mesma coisa, dois dedos de conversa

e uns quantos cubos de gelo. Meia

hora chega para ir repondo o stock

de episódios com que fingir que estamos

vivos. Isso deve bastar-te, excepto

se te achares mais do que os outros

e Deus te livre de uma coisa dessas.

É isso: aprende a metafísica das

t-shirts brancas, das curvas apertadas,

da velocidade calma. O resto é

conversa de poetas, filósofos, historia-

dores, que fumam mais do que vêem

e lêem mais do que assobiam ao sair

à rua. O resto é uma perda de tempo

e não eras tu o tal que tanto nos

maçava com a iminência da

morte, com a falência da Sociedade

por quotas, com a genealogia

dos suínos? Aproveita agora esta

oportunidade de não ser nada

contigo; juro-te que ninguém

te vai levar a mal; envia, apenas,

um postal de Tânger e um contacto,

para o caso de o Emanuel ou a

Angelina quererem ir de férias e

precisarem de um sítio onde ficar.

Não é pedir muito em troca da

tua liberdade. Vá! Uma caixa de

cimento fresco. Deita-o lá dentro.

Sabes do que estou a falar. Ver-

melho escuro. Isso. O coração.


 

Fine

 

Os sentimentos são paisagens áridas, imprecisas, tremeluzentes, desconfortáveis.

Dito isto, poderia fechar a porta, correr as grades, trancar o cadeado, dar a loja por encerrada, sem previsões de reabertura.

Fechados lá dentro, os sentimentos, bem, seria como se não existissem.

Talvez morressem, se desidratassem, se pulverizassem, talvez deles restasse apenas uma mancha de gordura no chão.

Em qualquer caso, emudeceriam. Ou não seriam escutados, o que vem a dar ao mesmo.

Nunca contemplei esta hipótese por mais de cinco minutos – certamente, nem tanto.

Não consigo. Não sei. Julgo que, no fundo, é o que menos quero. E que essa é a raiz da minha resistência. Crónica e aguda.

Os sentimentos são onde sei viver, onde me sinto menos morto.

Os sentimentos sou eu.

Os melhores.

Os piores.

O beijo.

A bala.

(Ou vice-vresa).

Todos os nomes da intranquilidade.


 

[Ao sair da prisão, esperavas-me,]

 

 

Ao sair da prisão, esperavas-me,

com uma ostra fresquíssima sobre as palmas

das mãos. Será sempre essa a imagem

que guardarei de ti, quer fiquemos juntos

para sempre, como dizem os padres,

quer partas para a China mais longínqua,

que é o coração de outro homem.

Depois de cinco anos cimentado,

rodeado pela música torturante de respirações

sem freio e sem paz, trouxeste-me o mar

a uma terra inferior, onde até os homens livres,

até as crianças, caminham de cabeça baixa.

Por isso, nunca te darei prendas no Natal

ou no teu aniversário: nada se poderia comparar

àquela lágrima feliz e vagamente sólida

que, nesse dia, me desceu pela garganta

até ao sítio indeterminado em que nos distinguimos

das feras. Posso apenas tentar confundir-me

com o tapete do corredor, com a torneira

da cozinha, com o creme que pões na cara,

de manhã ou à noite, e deixar que me dês o uso

que parecer melhor, ou que não me dês uso algum,

e aproveitar cada minuto dos teus gestos mais leves,

que, também eles, se assemelham ao mar,

quando as noites são calmas e o luar o ilumina

na baía de Cádis.


 

[Agora, és outra pessoa,]

 

Agora, és outra pessoa,

cheia de banalidades e pequenas alegrias.

O tempo e a distância encarregaram-se disso.

Sim, na minha ausência é costume desmoronarem-se

as encostas, outrora cuidadosamente escoradas.

Mas, mesmo colocando de parte o meu ego,

é evidente o encanto da normalidade,

da paz doméstica e social

e do correcto dimensionamento de cada um,

sem megalomanias nem paióis de pólvora seca,

sem insónias nem gritos

nem fantasmas de grandes artistas e pequenos ditadores

(ou vice-versa)

a correrem pela casa.

Não gosto de gatos nem de crianças,

de celebrações colectivas e famílias,

de prolongadas distensões estivais,

nem sei estar indubitavelmente presente,

como o frasco dos picles, na prateleira de baixo do armário.

Nunca soube nem fingi saber – conceder-me-ás isso,

assim como reconheço que nunca, sequer, senti culpa

por todos os pecados que pequei e pecarei

enquanto o tabaco não me paralisar os pulmões.

Os meus dias são feitos de excessos e vazios

e o vazio excessivo é a própria matéria por que pugno

o muito tempo todo em que não me calha compor

estas vagas linhas sobrepostas

a que insistem em chamar poesia

mas que são apenas a minha maneira de bocejar sem sono.

Era impossível permanecermos juntos –

dizem-mo a razão e a urgência de um impulso vital

para qualquer coisa só por ser a seguinte. No entanto,

uma mágoa moinha-me a pequena hélice do coração,

enquanto, à pressa, trinco uma sandes de mundo

na cantina do niilismo (ou vice-versa)

ou conduzo um carro de vento rumo ao Magreb medieval.

Das horas que passámos juntos não há remissão

e isso consola-me como nada mais, num recanto

muito fotogénico da memória ou talvez disso a que se chama alma.

Espero que esta te vá encontrar bem,

com meninos à ilharga, um marido que leia

o Diário de Notícias e romances históricos

e, apesar de tudo, um sorriso

ante a imensa precisão com que coloco uma mão toda

nas feridas dos outros

para evitar o ardor da tintura de iodo

nas minhas.


 

[Dizem que a vida me foi dada à borla.]

 

Dizem que a vida me foi dada à borla.

Só eu sei quanto isso me custa.

 

Dizem que não penso nos outros.

Deus sabe o tempo que gasto a pensar nisso.

 

Dizem que tenho um ego agigantado.

É a única coisa que tenho.

 

Dizem que vou acabar sozinho.

Têm razão.


Florence Price - Fantasie Nègre (1929)

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Documentary: Anne-Kathrin Peitz's Play it again! Looking for Loops (2024)

“Play it again” sets out in search of the phenomena of repetition in music history: from the Middle Ages to minimal music, from the motets of Josquin des Prés to Maurice Ravel's Bolero and pop music, from Handel to the hand-made loops of Mike Oldfield, from loop pioneer Terry Riley to live looper Konrad Küchenmeister, from George Antheil to Balinese gamelan music.
This one-hour documentary not only investigates the causes, but also the effects: What is repetition, what is variation and what is a loop? What is actually being ‘repeated’? Does repetition have feel-good or rather anger potential? Music ethnologists, neuroscientists, composers and performers search for answers to these questions.
Using selected works as a spotlight, the aggregate states of repetition are traced and, above all, listened to. Concert scenes alternate with dance scenes in which repetition sets the beat, supplemented by world music archive material.
The eternal return of the same becomes a stylistic device in itself. The narrative strands are mostly cyclical: Short stories about repetitive routines become loops and playful cartoons tell humorous never-ending stories. Loop collages run through the film like a rondo, associatively taking into account non-musical manifestations of the endless loop.

Repertoire

With music from Handel (Passacaglia), Josquin des Préz, Mike Oldfield, Steve Reich and more

 

El Greco profano: Fábula


 

Ontem à noite, na RTP2, com um participante muito especial


Documentário sobre as seis décadas da Orquestra Gulbenkian. Através de imagens de arquivo inéditas e entrevistas a músicos, maestros e solistas internacionais, "Soma das Partes" revela a história de uma orquestra que contribuiu de forma determinante para o enriquecimento do panorama musical português, gravou mais de 70 discos e atuou ao lado de muitos dos maiores intérpretes do mundo da música.

Com a participação de: Alejandro Oliva, Alfredo Flores, Andrew Swinnerton, António Gonçalves, Arlindo Santos, Evgeny Kissin, Hannu Lintu, Inês Thomas Almeida, Joana Carneiro, Lawrence Foster, Leonor Braga Santos, Levi Condinho, Lorenzo Viotti, Luís Tinoco, Manuel Teixeira, Maria João Pires, Maria José Falcão, Muhai Tang, Risto Nieminen, Rui Vieira Nery, Teresa Nunes da Ponte, Varoujan Bartikian, Vera Dias.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Elenco d'O Espectáculo Mais Pequeno do Mundo 2026, com curadoria e apresentação deste vosso amigo (Fólio, Óbidos, 9, 10, 16 e 17 de Outubro)






Poesia: Richard Price (Escócia), Rocío Matosas (Uruguai); Música: João Camões (viola de arco), João Pedro Viegas (clarinete baixo), José Anjos (guitarra).
 

Lunch by Chef MM


 Empadão de pescada.

 


Tout est également vain dans les hommes, leurs joies et leurs chagrins. Mais il vaut mieux que la bulle de savon soit d’or ou d’azur, que noire ou grisâtre.

Chamfort

Eileen Gray



 


 

(Tradução: José Luís Costa.)
 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

TENHO INVEJA DA COZINHA DE MANHUFE

 


À 2ª os museus estão fechados.

É o nosso dia favorito para o picnic das confidências.

Olho para o Amadeo e falo-lhe da Vieira que tive nas mãos.

Fita-me abrindo os olhos no meio daquela partida de xadrez, como que a dizer: és um gajo sortudo.

Relembro a memória e agarro o repolho roxo do Eduardo Luíz.

Há que ter calma.

Só quero saborear aquele verde “pistache” do Mário Botas.

Sorrimos um para o outro.

Gosto da nossa malandragem, aponta ele.

Ok.

Tenho inveja da cozinha de Manhufe, atirei eu, em forma de convite.

Timidamente escondeu-se na viola, e ofereceu ao céu as cores que lhe faltavam.

Os galgos farejaram o nosso delírio e deitaram-se com o único deus que os soube criar.

Amadeo, saiu da tela, limpou os pés no pincel, e levou a cabeça do Santa-Rita para o passeio das horas sem tempo.

 

António de Miranda


 

Joe Giardullo - NO WORK TODAY (2005)

sábado, 9 de maio de 2026

Jörg Widmann: Fünf Bruchstücke / Five Fragments for Clarinet and Piano (1997)

(Thanks, Levi.)

Samuel Daniell




 

Nils Wogram presents the music of Albert Mangelsdorff (2018)


 

Homofobia avant la lettre



Comprar quer'eu, Fernam Furado, muu

que vi andar mui gordo no mercado,

mais trage já o alvaraz ficado,

Fernam Furado, no olho do cuu;

e anda bem, pero que fer'é d'unha,

e dize[m]-me que trage ũa espunlha,

Fernam Furado, no olho do cuu.

 

E, Dom Fernan Furado, daquel muu

creede bem que era eu pagado,

se nom que tem o alvaraz ficado,

Fernam Furado, no olho do cuu;

[e] é caçurr', e vejo que rabeja

 e tem espunlha de carne sobeja,

 Fernam Furado, no olho do cuu.

 

Airas Veaz

Nicolas Mignard




 


 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Segunda-feira, na RTP2...

... no programa do Nuno Artur Silva, falando de Filosofia, o António Caeiro, meu Amigo há quase quarenta anos, foi (passe a aparente contradição) de uma leveza esmagadora, de uma clareza rara. 
Ainda vão a tempo de ver.
 

1926