quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026


 (Thanks, Carlos.)

Lieve Meersschaert (1945-2026)...


 ... que, através da Lut Caenen, conheci de raspão no lançamento do meu último livro.

John Guillermin



 

Marshall Sahlins: Anthropology

 


Um amor de dois perfumes

 

Cantando junto dum lago,

Macio como o seu olhar,

Que se não evaporava

Só para ouvi-la cantar,

A branca visão serena,

Tão leve como a neblina,

Tinha a voz húmida e pura

Como a da luz matutina.

Se ao lírio Deus desse o canto

E desse voz à estrela,

Nunca, a estrela ou o lírio,

Cantariam como ela.

Encantada, que encantava

Fora das humanas normas,

Era uma luz cinzelada,

Ou um aroma com formas.

A seus pés, o manso lago

Desfalecia em desejos,

Com a água arrepiada

De carícias e de beijos.

Um trovador, que os seus olhos

Conseguiram enlear,

Um trovador que ela amava,

Certo dia a quis beijar;

Da visão se evaporaram

As formas tão olorosas,

Deixando toldado o Ar

Com um perfume de rosas.

— Não me beijes que te encantas —

Longínqua voz murmurou

Alá não quer que me beijem;

Inda ninguém me beijou… —

Junto ao lago adormecida,

Achou-a o trovador,

Numa noite em que as estrelas

Andavam tontas de amor.

O lago enrolava as ondas,

Para ver se a alcançava,

E, ao cimo dessas ondas,

Beijos de prata mandava.

O trovador, de joelhos,

Tremendo de comoção,

No peito ouvia ruflar

As asas do coração.

Ia, afinal, dar-lhe um beijo,

Tê-la, afinal, entre os braços;

Com ciúme e raiva, os astros

Rugiam pelos espaços.

Poisou o beijo infinito

Na boca fresca e mimosa,

Como uma asa de luz

Que poisa sobre uma rosa.

Realizou-se o que, Alá,

Já havia anunciado:

Beijou-a, evaporou-se,

Ficou também encantado…

Dois perfumes que voaram

Nessa noite alva e serena…

Por não tornar mais a vê-la,

Finou-se o lago de pena.

Erram, talvez, pelo Céu,

Entre os astros e as procelas,

Espalhando com os beijos

Novos enxames de estrelas;

Ou quem sabe, se na terra,

Prendeu Alá, esse amor,

E se vivem hoje os dois

No cálix dalguma flor!


João Lúcio

AMANHÃ


 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

3 X João Moreira

João Moreira (Lisboa, 2004) iniciou os seus estudos musicais aos 16 anos, com o compositor David Miguel, na Academia de Música de Telheiras, onde foi apresentado ao mundo da música contemporânea.
Em 2021, foi um dos seis vencedores do concurso MATA Jr, o que resultou na estreia de uma obra para quarteto de cordas, em Nova Iorque, pelo Bergamot Quartet.
Desde então, participou em Masterclasses com Pierluigi Billone, Franck Bedrossian e Luís Naón, teve a oportunidade de discutir a sua música com compositores como Mark Andre, Samuel Andreyev, Jaime Reis e João Quinteiro, entre outros, e de ver o seu trabalho apresentado em seis países diferentes, ao trabalhar com agrupamentos como o PHACE Ensemble, Bergamot Quartet, Solem Quartet, ConcrèteLab, Ars Ad Hoc, solistas como Irvine Arditti (Arditti Quartet), Éric-Maria Couturier (Ensemble Intercontemporain), Tiago Coimbra e a Jovem Orquestra Portuguesa (JOP).
Foi também estudante bolseiro na Royal Academy of Music, em Londres, onde durante um ano foi acompanhado pela compositora Helen Grime. Actualmente estuda Artes e Culturas Comparadas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e tem o seu trabalho publicado pelo Centro de Investigação e Informação da Música Portuguesa.


 


 



 

domingo, 15 de fevereiro de 2026