Extra Light
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
domingo, 6 de setembro de 2026
É muito simples: desejo apenas que,
pelo fim da vida, ninguém me aguarde
ao chegar a casa.
Aliás, espero não ter
casa, viver num
quarto de hotel
em que as marcas do
tempo comum
façam as vezes de
memórias pessoais.
Isto já vai com 56
anos, 120 quilos,
um ror de tempo
perdido, incluindo
a mesa, a cama, a
estante, a secretária
e, sobretudo, o chamado
mobiliário urbano.
Salvam-se, talvez,
umas caudas de lagosta
em St. Ives, um amor
que paira num tempo
já sem cronologia, as
aventuras do Barão
de Münchhausen e a
confiança ingénua
de um par de desenhos
científicos que
tracei na
adolescência como se bebesse
vinho de uma fonte. É
muito simples:
fujo de opiniões e
protestos, sentimentos
e personalidades,
como o Diabo da cruz,
Maomé do toucinho,
etc., etc.; tolero ainda
alguma factologia anedótica
e a estética
de um cabo eléctrico
desgrenhado;
mas só me interessam
beijos indistintos
do chilrear dos
pássaros numa vereda
em que a sombra peça
meças ao sol
e a manhã seja a
noite da noite.
Miguel Martins
06/09/25
How
do I love thee? Let me count the ways.
I
love thee to the depth and breadth and height
My
soul can reach, when feeling out of sight
For
the ends of being and ideal grace.
I
love thee to the level of every day’s
Most
quiet need, by sun and candle-light.
I
love thee freely, as men strive for right.
I
love thee purely, as they turn from praise.
I
love thee with the passion put to use
In my
old griefs, and with my childhood’s faith.
I
love thee with a love I seemed to lose
With
my lost saints. I love thee with the breath,
Smiles,
tears, of all my life; and, if God choose,
I
shall but love thee better after death.
Elizabeth
Barrett Browning



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