segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Thomas Adès – Darknesse Visible (1992)

 


La aurora de Nueva York

tiene cuatro columnas de cieno

y un huracán de negras palomas

que chapotean en las aguas podridas.

 

La aurora de Nueva York gime

por las inmensas escaleras

buscando entre las aristas

nardos de angustia dibujada.

 

La aurora llega y nadie la recibe en su boca

porque allí no hay mañana ni esperanza posible.

A veces las monedas en enjambres furiosos

taladran y devoran abandonados niños.

 

Los primeros que salen comprenden con sus huesos

que no habrá paraísos ni amores deshojados;

saben que van al cieno de números y leyes,

a los juegos sin arte, a sudores sin fruto.

 

La luz es sepultada por cadenas y ruidos

en impúdico reto de ciencia sin raíces.

Por los barrios hay gentes que vacilan insomnes

como recién salidas de un naufragio de sangre.

 

Federico García Lorca


 


 


 

terça-feira, 4 de agosto de 2026

No próximo dia 17, no Bota...

eu e o José Anjos, acompanhados pelo João Madeira (contrabaixo eléctrico), leremos poemas que falam de jazz. E eis os poetas que serão lidos:






Alexandre Saldanha da Gama, Fernando Grade, Levi Condinho, António de Miranda e Inês Ramos.


 


Fui apalpar os tomates

que tinha o meu hortelão,

mostrou-me o nabal que tinha,

meteu-me o nabo na mão.

 

Sou mestra na agricultura,

tenho terra para cavar,

gosto sempre de apalpar

se a enxada é mole ou dura.

Ser amiga da verdura

não são nenhuns disparates;

enchi alguns açafates

de tomateiros de cama

depois de apalpar a rama

fui apalpar os tomates.

 

As sementes tomateiras

nascem por dentro e por fora

semeiam-se a toda a hora

dentro de fundas regueiras.

Tão brilhantes sementeiras

dão gosto e satisfação.

Dentro do meu regueirão

dão-me as ramas pelos joelhos

que tomates tão vermelhos

que tinha o meu hortelão!

 

Só de vê-los e apalpá-los

faz andar a gente louca

faz crescer água na boca

e a língua dar estalos.

Meu hortelão tem regalos,

tem hortaliça fresquinha

no vale da carapinha

tem um tomateiro macho,

abriu-me a porta de baixo

mostrou-me o nabal que tinha.

 

Tinha grelos e nabiças,

tinha tomates graúdos,

tinha nabos ramalhudos

com as cabeças roliças.

Tão brilhantes hortaliças

meteram-me a tentação;

era franco o hortelão,

deu-me uma couve amarela

para me dar gosto à panela,

meteu-me o nabo na mão.

 

António Maria Eusébio (O Calafate)