quarta-feira, 13 de maio de 2026

Documentary: Anne-Kathrin Peitz's Play it again! Looking for Loops (2024)

“Play it again” sets out in search of the phenomena of repetition in music history: from the Middle Ages to minimal music, from the motets of Josquin des Prés to Maurice Ravel's Bolero and pop music, from Handel to the hand-made loops of Mike Oldfield, from loop pioneer Terry Riley to live looper Konrad Küchenmeister, from George Antheil to Balinese gamelan music.
This one-hour documentary not only investigates the causes, but also the effects: What is repetition, what is variation and what is a loop? What is actually being ‘repeated’? Does repetition have feel-good or rather anger potential? Music ethnologists, neuroscientists, composers and performers search for answers to these questions.
Using selected works as a spotlight, the aggregate states of repetition are traced and, above all, listened to. Concert scenes alternate with dance scenes in which repetition sets the beat, supplemented by world music archive material.
The eternal return of the same becomes a stylistic device in itself. The narrative strands are mostly cyclical: Short stories about repetitive routines become loops and playful cartoons tell humorous never-ending stories. Loop collages run through the film like a rondo, associatively taking into account non-musical manifestations of the endless loop.

Repertoire

With music from Handel (Passacaglia), Josquin des Préz, Mike Oldfield, Steve Reich and more

 

El Greco profano: Fábula


 

Ontem à noite, na RTP2, com um participante muito especial


Documentário sobre as seis décadas da Orquestra Gulbenkian. Através de imagens de arquivo inéditas e entrevistas a músicos, maestros e solistas internacionais, "Soma das Partes" revela a história de uma orquestra que contribuiu de forma determinante para o enriquecimento do panorama musical português, gravou mais de 70 discos e atuou ao lado de muitos dos maiores intérpretes do mundo da música.

Com a participação de: Alejandro Oliva, Alfredo Flores, Andrew Swinnerton, António Gonçalves, Arlindo Santos, Evgeny Kissin, Hannu Lintu, Inês Thomas Almeida, Joana Carneiro, Lawrence Foster, Leonor Braga Santos, Levi Condinho, Lorenzo Viotti, Luís Tinoco, Manuel Teixeira, Maria João Pires, Maria José Falcão, Muhai Tang, Risto Nieminen, Rui Vieira Nery, Teresa Nunes da Ponte, Varoujan Bartikian, Vera Dias.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Elenco d'O Espectáculo Mais Pequeno do Mundo 2026, com curadoria e apresentação deste vosso amigo (Fólio, Óbidos, 9, 10, 16 e 17 de Outubro)






Poesia: Richard Price (Escócia), Rocío Matosas (Uruguai); Música: João Camões (viola de arco), João Pedro Viegas (clarinete baixo), José Anjos (guitarra).
 

Lunch by Chef MM


 Empadão de pescada.

 


Tout est également vain dans les hommes, leurs joies et leurs chagrins. Mais il vaut mieux que la bulle de savon soit d’or ou d’azur, que noire ou grisâtre.

Chamfort

Eileen Gray



 


 

(Tradução: José Luís Costa.)
 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

TENHO INVEJA DA COZINHA DE MANHUFE

 


À 2ª os museus estão fechados.

É o nosso dia favorito para o picnic das confidências.

Olho para o Amadeo e falo-lhe da Vieira que tive nas mãos.

Fita-me abrindo os olhos no meio daquela partida de xadrez, como que a dizer: és um gajo sortudo.

Relembro a memória e agarro o repolho roxo do Eduardo Luíz.

Há que ter calma.

Só quero saborear aquele verde “pistache” do Mário Botas.

Sorrimos um para o outro.

Gosto da nossa malandragem, aponta ele.

Ok.

Tenho inveja da cozinha de Manhufe, atirei eu, em forma de convite.

Timidamente escondeu-se na viola, e ofereceu ao céu as cores que lhe faltavam.

Os galgos farejaram o nosso delírio e deitaram-se com o único deus que os soube criar.

Amadeo, saiu da tela, limpou os pés no pincel, e levou a cabeça do Santa-Rita para o passeio das horas sem tempo.

 

António de Miranda


 

Joe Giardullo - NO WORK TODAY (2005)

sábado, 9 de maio de 2026

Jörg Widmann: Fünf Bruchstücke / Five Fragments for Clarinet and Piano (1997)

(Thanks, Levi.)

Samuel Daniell




 

Nils Wogram presents the music of Albert Mangelsdorff (2018)


 

Homofobia avant la lettre



Comprar quer'eu, Fernam Furado, muu

que vi andar mui gordo no mercado,

mais trage já o alvaraz ficado,

Fernam Furado, no olho do cuu;

e anda bem, pero que fer'é d'unha,

e dize[m]-me que trage ũa espunlha,

Fernam Furado, no olho do cuu.

 

E, Dom Fernan Furado, daquel muu

creede bem que era eu pagado,

se nom que tem o alvaraz ficado,

Fernam Furado, no olho do cuu;

[e] é caçurr', e vejo que rabeja

 e tem espunlha de carne sobeja,

 Fernam Furado, no olho do cuu.

 

Airas Veaz

Nicolas Mignard




 


 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Segunda-feira, na RTP2...

... no programa do Nuno Artur Silva, falando de Filosofia, o António Caeiro, meu Amigo há quase quarenta anos, foi (passe a aparente contradição) de uma leveza esmagadora, de uma clareza rara. 
Ainda vão a tempo de ver.
 

1926


 


 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Filme comovente...


 ... e duas magníficas canções que bem poderiam ser a sua banda-sonora:

 


Sou uma daquelas crianças

que receberam carvão no sapatinho.

Mas, se servir para assar pimentos e sardinhas,

nem tudo está perdido.

 

O que é um livro se não um pássaro

morto nas minhas mãos,

o lápis um galho retorcido e caquético,

o papel uma mortalha seca

carente de unguentos —

ao meu toque, tudo encarquilha.

 

“Tenho o coração cheio de poemas”

escreves-me, brilhando do outro lado da rua.

Por isso, perdurará em ti sempre

essa primavera de abelhas e joaninhas.

 

Embriagada de ti.

Lembras-me esse tempo

em que os sinos eram

mais reais do que audíveis.

Na minha mente, anunciavam

amiudadas boas-novas.

A vida era um domingo sem fim

no bairro da Estrela.

Ia-se à missa para trocar beijinhos com o vizinho do lado,

o rapaz mais tímido da paróquia,

que importava se não era baptizada.

 

Eis-me sem ideias de renovar sangue.

Por aqui há fósforos com as cabeças queimadas,

um frasco de feijão sem rótulo nem tampa

atafulhado de oferendas liofilizadas,

flores podres,

um samovar,

um museu trivial onde as coisas estão

para as olharmos sem interferirmos com elas

mais do que ao nível quântico, como num velório.

 

Mas ninguém morreu

nem a minha vida está a ser coada pelo passador de Caronte,

sou apenas absorvida pelo sono.

Amanhã terei mais certezas.

Até lá aproveito o privilégio de te ter

enquanto tudo é atirado borda fora,

incluindo a lei e a ética.

 

Catarina Santiago Costa

(no último número da revista Nervo)

 


They fuck you up, your mum and dad.  

    They may not mean to, but they do.  

They fill you with the faults they had

    And add some extra, just for you.

 

But they were fucked up in their turn

    By fools in old-style hats and coats,  

Who half the time were soppy-stern

    And half at one another’s throats.

 

Man hands on misery to man.

    It deepens like a coastal shelf.

Get out as early as you can,

    And don’t have any kids yourself.

 

PHILIP LARKIN