terça-feira, 24 de março de 2026

Eis um texto que descobri...

 ... através do Facebook da Inês Ramos:

Maarten Inghels coördinated The Lonely Funeral in Belgium, a social and literary project which provides poets to speak at funerals of those without relatives and friends to attend.

Every year, a large number of people living in our towns and cities - the homeless, suicides, illegal immigrants, junkies, drug 'mules', victims of crime and, above all, old people living alone - are found dead. Sometimes, they are not discovered for weeks or months, and it is often hard to ascertain who they are. Their funerals are held without relatives or friends and acquaintances being present; the only people in attendance are the pall-beares, perhaps someone from the Department of Social Services, the cemetery management and the funeral director.

In Amsterdam in 2002, the poet and artist F. Starik, deeply moved by the desolation of these solitary funerals, initiated 'The Lonely Funeral' project and seven years later in Antwerp, the Flemish poet Maarten Inghels set up a project of the same name. The idea of the project was to establish a network of poets who would write a personal poem for the deceased person based on research into their life and read it out at their funeral as an affirmation of their existence. To date, well over 300 'lonely funerals' have been attended by poets in both cities and volumes of prose and poetry about some of these forgotten lives have been published in Amsterdam and Antwerp respectively.

Arc Publications, together with the Viennese publisher Edition Korrespondezen and the editor Stefan Wieczorek, have made a selection of prose and poems about 31 'forgotten lives' from these two anthologies. What is known of, or can be found out about, each individual's life and manner of death is set out in a moving prose piece which also describes the funeral itself - for the Amsterdam funerals this is written by F. Starik and for the Antwerp funerals by Maarten Inghels - and this is followed by the poem for the deceased, with 20 of the Netherlands' and Flanders' leading poets being represented.

This is by turns a moving, shocking and very necessary volume: poets are not social workers but they do have the power to change attitudes to society's outcasts. These last salutations to people the poet has never known and never will, whose lives at the end were invisible, remind us that we are a community and that we have responsibility for each other, even after death. As F. Starik writes in his preface to the book: "We do not know to whom we say goodbye, so we feel no pain. But everyone - and this is the point - every person deserves respect."

https://inghels.com/The-Lonely-Funeral-2018

E eis o referido poeta F. Starik a ler numa das sessões que, durante anos, organizei n'A Barraca:




Trip down Memory Lane: Crowded House - Don't Dream It's Over (1986)

segunda-feira, 23 de março de 2026

Documentação gentilmente cedida por Luís França...

... uma mistura de Garcia de Orta e Arthème Fayard, com um tudo-nada de Ivone Silva e uma bequinha de Rocco Siffredi:



 

Lunch by Chef MM: Creamy Mushroom Rice


 

Frates Trio - Das Modell (Kraftwerk Cover) (1999)


 

Schubert: Die Forelle, D. 550 (1817) (lyrics by Christian Friedrich Daniel Schubart)


The trout

In a bright little stream

Shooting past in carefree haste

Was a capricious trout,

Going off like an arrow:

I stood by the edge of the water

And in sweet peace I watched

The lively little fish as it bathed

In the clear little stream.

 

A fisherman with his rod

Was standing on the bank, though,

And cold bloodedly he watched

As the little fish twisted.

So long as the bright water

Is not disturbed, I thought,

He won’t be able to catch the trout

With his fishing rod.

 

But in the end the thief felt

That it was taking too long; he made

The little stream treacherously cloudy:

Before I realised it,

His rod started twitching;

The little fish wriggled about on it;

And I, with my blood boiling,

Watched on as she was tricked.

(Translation: Malcolm Wren, in https://www.schubertsong.uk/text/die-forelle/)

Translated by Yours Truly


 

7 anos sem Patrícia Baltazar


 

domingo, 22 de março de 2026

Hoje...

... depois de traduzir das 4h30 às 11h, fui à Feira de Velharias de Algés (4º Domingo de cada mês) e comprei um cachimbo em 2ª mão; 

de seguida, fui ao Estoril, almoçar num restaurante de fast food acerca do qual tinha lido e que se revelou muito bom (dentro do género, claro)...


... e, pelo caminho, ainda vi um encantador Vespa 400 como o desta foto:

Conclusão: como diria



Marc Petit



 


 

Documentary: Luís Filipe Rocha's Sinais de Vida - Breve Sumário da Vida e da Obra de Jorge de Sena (1984)


 

sábado, 21 de março de 2026


 

Novo episódio do podcast O Poema Ensina a Cair

As entradas no podcast estão por ordem alfabética:
A. M. Pires Cabral (poema inédito), Ana Paula Inácio, André Tecedeiro, Andreia C. Faria, António Amaral Tavares, Carla Louro, Catarina Nunes de Almeida, Cláudia Lucas Chéu, Cláudia R. Sampaio (poema inédito), Daniel Jonas, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Fernando Pinto do Amaral, Filipa Leal, Francisca Camelo, Francisco José Viegas, Helder Macedo, Hélia Correia, Inês Francisco Jacob, Inês Dias, Inês Fonseca Santos, Inês Lourenço, Jaime Rocha, Jorge Gomes Miranda (poema inédito), Jorge Roque (poema inédito), Jorge Sousa Braga, José Carlos Barros, João Bosco da Silva, João Paulo Esteves da Silva, Luís Filipe Castro Mendes, Margarida Vale de Gato (poema inédito), Maria do Rosário Pedreira, Maria Sousa, Miguel Cardoso (poema inédito), Miguel-Manso, Miguel Martins, Paola d’ Agostino, Paula Tavares (poema inédito), Paulo José Miranda, Pedro Braga Falcão (poema inédito), Pedro Mexia (poema inédito) , Pedro Rapoula (poema inédito), Raquel Nobre Guerra, Raquel Serejo Martins (poema inédito), Regina Guimarães, Renata Correia Botelho, Ricardo Marques, Rita Taborda Duarte, Rosa Oliveira, Rui Lage, Tatiana Faia, Vasco Gato.

 https://open.spotify.com/episode/30eVhiLjAcyiQhnMssro9I?si=a77d6a916b2549c7&fbclid=IwY2xjawQrtIRleHRuA2FlbQIxMABicmlkETE5bU1aQ1Z2T1p6bEN5SjhBc3J0YwZhcHBfaWQQMjIyMDM5MTc4ODIwMDg5MgABHmOnQfYIvo5aMa57ns0z8c4Is25anAGHkvjmtvM3qczFingaZ5wdnmVB17YR_aem_zoajIdLghUp_zvKxg_vwCg&nd=1&dlsi=3a161f14d5f14648


 


 

Tam o'shanter




 

sexta-feira, 20 de março de 2026

Ana Isabel Soares - Um disco: Glossolalia, A Favola da Medusa (2024)


 Sempre que leio a palavra glossolalia, vem-me à ideia a novela distópica que Régis Messac escreveu em 1935, Quinzinzinzili. Demorei a fixar-lhe o título, mas, a partir do momento em que o consegui, sai sem qualquer dificuldade: se o texto de Messac é o relato da perda da linguagem humana, que equivale à perda da Humanidade, aprender uma palavra só através do eco que faz no pensamento é uma maneira de preservar essa linguagem – logo, um modo de sobrevivência do que é humano. Na novela, “quinzinzinzili” é a forma, deturpada ao longo de anos em que um pequeno grupo de sobreviventes de um cataclismo mundial se vai tornando cada vez menos humano, do último verso da oração do Pater Noster, “Qui est in coelis”. Perder o sentido anterior para passar a uma glossolalia, à pronúncia de sons desarticulados, simboliza, segundo Messac, a eliminação do humano. Mas pode ser vista como o começo de alguma coisa que se desconhece (e teme): a erosão de uma linguagem não poderá originar outros modos de comunicação? É uma visão mais otimista, mas não menos lógica.


A palavra e a ideia de “glossolalia” tem um contexto religioso, relacionado com o dia de Pentecostes, ou o momento em que, passados cinquenta dias da crucificação de Cristo, os apóstolos recebem do Espírito Santo os dons que lhes permitirão, na prática, propagar pela terra a mensagem cristã – para tal, para que a possam levar a todos os povos do mundo, um dos dons que sobre eles são “derramados” (Frederico Lourenço sublinha como está na origem da confusão de línguas do episódio descrito em «Atos dos Apóstolos», 2:1-4, um “derramar de líquidos que se misturam e se confundem”) é a capacidade de falar muitas línguas diferentes, a tal glossolalia.

Confusão e possibilidade, estranheza e clareza, perda do que se conhece e abertura para a novidade do desconhecido – estas aparentes contradições, expressões de um inconciliável que, afinal, convive, acompanham-me enquanto ouço Glossolalia, o disco mais recente de A Favola da Medusa, agrupamento que se formou vai para 16 anos e continua a provocar-me os sentidos. Sobretudo porque me traz a mistura de sonoridades inesperadas (sons de água a correr e ruídos mecânicos produzidos por instrumentos tradicionais ou por objetos transformados em instrumentos musicais), sobretudo porque me oferece, ao mesmo tempo, o domínio de melodias nascidas do que normalmente associo à ausência de harmonia e versos de poemas belíssimos (ou a afirmação de que a linguagem que uso continua a fazer muito sentido). Sobretudo, sobretudo, porque me dá a presença, em atmosfera sonora, de pessoas queridas, apaixonadas pelos sons das palavras e por sequências não verbais do mundo, como o Miguel Martins, a Ana Isabel Dias, o Luís França, o João Madeira. Todos, afinal, os que compõem a maravilha que me dão a escutar.

Glossolalia saiu em 2024, pela editora 4darecord. Pode ser ouvido aqui.

Notas: Quinzinzinzili foi traduzido para a língua portuguesa por Inês Dias e está publicado na Antígona. O comentário de Frederico Lourenço sobre o passo dos «Atos dos Apóstolos» encontra-se na p. 52 do volume II da Bíblia que a editora Quetzal tem vindo a editar, na tradução de Lourenço.


Chuck Norris (1940-2026): doravante, aquilo lá em cima vai fiar mais fino


 


 

Polly Walker



 

Alberto Velho Nogueira: 82 anos hoje


 https://www.mediatheque.be/focus/alberto-velho-nogueira-histoire-de-collections-remarquables/