domingo, 6 de setembro de 2026

Walter Bondy



 

É muito simples: desejo apenas que,

pelo fim da vida,  ninguém me aguarde

ao chegar a casa. Aliás, espero não ter

casa, viver num quarto de hotel

em que as marcas do tempo comum

façam as vezes de memórias pessoais.

Isto já vai com 56 anos, 120 quilos,

um ror de tempo perdido, incluindo

a mesa, a cama, a estante, a secretária

e, sobretudo, o chamado mobiliário urbano.

Salvam-se, talvez, umas caudas de lagosta

em St. Ives, um amor que paira num tempo

já sem cronologia, as aventuras do Barão

de Münchhausen e a confiança ingénua

de um par de desenhos científicos que

tracei na adolescência como se bebesse

vinho de uma fonte. É muito simples:

fujo de opiniões e protestos, sentimentos

e personalidades, como o Diabo da cruz,

Maomé do toucinho, etc., etc.; tolero ainda

alguma factologia anedótica e a estética

de um cabo eléctrico desgrenhado;

mas só me interessam beijos indistintos

do chilrear dos pássaros numa vereda

em que a sombra peça meças ao sol

e a manhã seja a noite da noite.

 

Miguel Martins

06/09/25

Documentary: Solveig Nordlund's Memórias do Teatro da Cornucópia (2025)


 

Documentary: Jack Cocker's My Life as Roger Moore (2025)


 

 


How do I love thee? Let me count the ways.

I love thee to the depth and breadth and height

My soul can reach, when feeling out of sight

For the ends of being and ideal grace.

I love thee to the level of every day’s

Most quiet need, by sun and candle-light.

I love thee freely, as men strive for right.

I love thee purely, as they turn from praise.

I love thee with the passion put to use

In my old griefs, and with my childhood’s faith.

I love thee with a love I seemed to lose

With my lost saints. I love thee with the breath,

Smiles, tears, of all my life; and, if God choose,

I shall but love thee better after death.

 

Elizabeth Barrett Browning

quinta-feira, 3 de setembro de 2026