Extra Light
terça-feira, 28 de julho de 2026
Antes da unificação dos Emiratos*
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Apocatástase
Aguardar-te-ei
até que a morte nos
separe
para depois nos unir.
Aguardar-te-ei
de costas voltadas
pois é no mar que melhor
consigo divisar
a forma eterna das
tuas feições
guardada numa nesga
incandescente da memória
que, friável, ao
redor dela se vai esboroando.
Nunca soube nada de
astronomia
e pouco de anatomia e
psicanálise;
tenho vagas noções de
história
e de uma geografia
desactualizada pela política
das salvas de tiros, dos
aplausos
e das transitórias
noções de desconfortável conforto.
Contudo,
aguardar-te-ei
naquela açoteia —
lembras-te? — onde fizemos amor
com vista sobre a
cidade,
com vista sobre o
mundo
de Oriente a Ocidente
e mais além,
como se os pontos
cardeais fossem estrelas
e as estrelas fossem
íris
e, em silêncio, prevendo
o inevitável,
jurassem para sempre:
Aguardar-te-ei.
(Escreveste-o, por
outras palavras, numa parede
— recordas-te? — e,
desde então, todos os dias,
o gravo com uma faca
no côncavo do meu peito.)
Aguardar-te-ei
enquanto for preciso
e até que o não seja,
até que a alma do
Diabo ascenda ao Paraíso
e nos sentemos à mesa
com vinho e peixe frito
ou apenas com as
nossas mãos
para repasto
das nossas mãos.
Miguel Martins
27/07/26
Projecto de Sucessão
Para o Mário Henrique
Continuar aos saltos até ultrapassar a Lua
continuar deitado até se destruir a cama
permanecer de pé até a polícia vir
permanecer sentado até que o pai morra
Arrancar os cabelos e não morrer numa rua solitária
amar continuamente a posição vertical
e continuamente fazer ângulos rectos
Gritar da janela até que a vizinha ponha as mamas de fora
por-se nu em casa até a escultora dar o sexo
fazer gestos no café até espantar a clientela
pregar sustos nas esquinas até que uma velhinha caia
contar histórias obscenas uma noite em família
narrar um crime perfeito a um adolescente loiro
beber um copo de leite e misturar-lhe nitro-glicerina
deixar fumar um cigarro só até meio
Abrirem-se covas e esquecerem-se os dias
beber-se por um copo de oiro e sonharem-se índias.
António Maria Lisboa
domingo, 26 de julho de 2026
Paulo Ramalho*
Naquele «pic-nic» de burgueses,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão de bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão de ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro de papoulas!
Cesário Verde
sexta-feira, 24 de julho de 2026
quinta-feira, 23 de julho de 2026
Documentary: Xavier Fréquant & Yassir Guelzim's La prohibition américaine, une aubaine française (2024)
Le 5 décembre 1933 marque la fin du "Volstead
Act", qui interdit aux Américains de boire, d'importer ou de vendre de
l'alcool. Pendant douze ans de prohibition, la plaque tournante du trafic en
Amérique du Nord, la petite colonie de Saint-Pierre-et-Miquelon, connaît un
essor incroyable. Les produits français, champagne en tête, ont la cote
outre-Atlantique. Cette manne providentielle profite à l'économie hexagonale.
Les gouvernements français qui se succèdent durant cette période font tout pour
favoriser ce commerce, au grand dam des Américains.
















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