sábado, 9 de janeiro de 2021

Da cretinice

Este pateta alegre (estou a ser benévolo) disse hoje, na televisão, ipsis verbis, o seguinte: "Eu pertenço a uma geração que conheceu ainda (...) o Luiz Pacheco, o César Monteiro e o Cesariny, que eram aqueles doces chanfrados que, de vez em quando, apareciam na comunicação social ou na televisão e que nós ouvíamos falar com gosto porque diziam coisas diferentes do habitual. E eu tenho muita pena desse desaparecimento porque sinto que não foram substituídos por pessoas equivalentes". 

Ou seja: o atiladinho (por contraposição aos chanfrados), do alto da sua condição de atiladinho, tem a generosidade de conceder que aqueles três indivíduos, a partir das margens (o inabitual), e desde que minimamente doces (leia-se amansados, coisa que nem a morte logrou), podiam funcionar como consciências críticas, mas nunca (abrenúncio!) ser levados demasiado a sério, já que a sua lucidez era, no entendimento do totó, um mero rebuçado (davam gosto).

Ainda poderia perder tempo com a "pena" (coitadinho...) ou com os "equivalentes" (do ímpar?), mas fico-me por essa questão do "com gosto", que, de imediato, me recordou o Joe Pesci:

E - como ouvi dizer ao narrador de uma partida de futebol quando um jogador falhou um golo de baliza aberta - há para aí tantas passagens de nível sem guarda...

Miguel Martins

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