domingo, 8 de fevereiro de 2026

 

Estás à procura de alguma coisa. Estando à procura, por definição, não sabes

o que é ou, pelo menos, não sabes onde está. Eu sempre soube, tive-o

e, depois, abandonei-o, lembro-me perfeitamente quando e onde. Pensar

e agir, suponho, são coisas que fazem falta a quem não sabe. E saber, lamento

dizer-to, só por uma iluminação involuntária que só é dada a quem até saber

despreza. De igual modo, só quem despreza os bens materiais deveria tê-los

e só quem despreza o poder e os homens deveria orientá-los. Então, ao fim

da tarde, regressaríamos às nossas palhotas, de corpos cansados e espíritos

serenos, assaríamos trutas na fogueira, gabar-nos-íamos de uma corrida

a nado, foderíamos como larvas emaranhadas e incandescentes e, semideuses,

dormiríamos  sonos de pedra com cintilações de novas águas a conquistar.

 

Miguel Martins

08/02/26

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