Sabe que os professores de História não amam a História por estar a acontecer, mas por ter acontecido; que odeiam as convulsões do presente, pois acham que não obedecem a lei alguma, que são incoerentes e irreverentes, pois consideram-nas, numa palavra, «a-históricas», enquanto os seus corações pertencem ao passado coerente, devoto, histórico. Porque sobre o passado, admite o académico (...), paira o espírito do intemporal e do eterno, um espírito que condiz muito mais com a disposição de um professor de História do que as irreverências do presente. O que já passou foi eternizado, ou seja: está morto, e a morte é a fonte de toda a devoção e de todo o sentido que impede as coisas de se desintegrarem.
Thomas Mann
(Tradução: José Lobo Antunes)

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