Fui apalpar os
tomates
que tinha o meu
hortelão,
mostrou-me o nabal
que tinha,
meteu-me o nabo na
mão.
Sou mestra na
agricultura,
tenho terra para
cavar,
gosto sempre de
apalpar
se a enxada é mole ou
dura.
Ser amiga da verdura
não são nenhuns
disparates;
enchi alguns açafates
de tomateiros de cama
depois de apalpar a
rama
fui apalpar os
tomates.
As sementes
tomateiras
nascem por dentro e
por fora
semeiam-se a toda a
hora
dentro de fundas
regueiras.
Tão brilhantes
sementeiras
dão gosto e
satisfação.
Dentro do meu
regueirão
dão-me as ramas pelos
joelhos
que tomates tão
vermelhos
que tinha o meu
hortelão!
Só de vê-los e
apalpá-los
faz andar a gente
louca
faz crescer água na
boca
e a língua dar
estalos.
Meu hortelão tem
regalos,
tem hortaliça
fresquinha
no vale da carapinha
tem um tomateiro
macho,
abriu-me a porta de
baixo
mostrou-me o nabal
que tinha.
Tinha grelos e
nabiças,
tinha tomates
graúdos,
tinha nabos
ramalhudos
com as cabeças
roliças.
Tão brilhantes
hortaliças
meteram-me a
tentação;
era franco o
hortelão,
deu-me uma couve
amarela
para me dar gosto à
panela,
meteu-me o nabo na
mão.
António Maria Eusébio
(O Calafate)

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