terça-feira, 4 de agosto de 2026

 


Fui apalpar os tomates

que tinha o meu hortelão,

mostrou-me o nabal que tinha,

meteu-me o nabo na mão.

 

Sou mestra na agricultura,

tenho terra para cavar,

gosto sempre de apalpar

se a enxada é mole ou dura.

Ser amiga da verdura

não são nenhuns disparates;

enchi alguns açafates

de tomateiros de cama

depois de apalpar a rama

fui apalpar os tomates.

 

As sementes tomateiras

nascem por dentro e por fora

semeiam-se a toda a hora

dentro de fundas regueiras.

Tão brilhantes sementeiras

dão gosto e satisfação.

Dentro do meu regueirão

dão-me as ramas pelos joelhos

que tomates tão vermelhos

que tinha o meu hortelão!

 

Só de vê-los e apalpá-los

faz andar a gente louca

faz crescer água na boca

e a língua dar estalos.

Meu hortelão tem regalos,

tem hortaliça fresquinha

no vale da carapinha

tem um tomateiro macho,

abriu-me a porta de baixo

mostrou-me o nabal que tinha.

 

Tinha grelos e nabiças,

tinha tomates graúdos,

tinha nabos ramalhudos

com as cabeças roliças.

Tão brilhantes hortaliças

meteram-me a tentação;

era franco o hortelão,

deu-me uma couve amarela

para me dar gosto à panela,

meteu-me o nabo na mão.

 

António Maria Eusébio (O Calafate)

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