Numa colina, uma
mulher sentada
esbelta, de pele
macia, escura,
soa ritmos
permanentes de volições
em nota
por uma flauta
transversal.
Descaindo planos os
cabelos
robustos, pelos
ombros
finamente esculpidos,
ao som de aragens
suaves
movendo ténues raízes
aéreas
numa árvore
ancestral.
Antes que do céu
compacto
as nuvens estalassem
luminosas nervuras,
tão prateadas
como o fluxo
despenteado
da cabeleira
do homem idoso,
lívido
aparecendo imóvel
ao lado das vitrines,
erguendo-se compactas
no centro daquele
vasto corredor.
Olhos nos olhos, o
espanto,
por entre a luz
mortiça, pálida.
A trovoada lá fora a
girar,
abrindo-se num
sorriso lento
o homem de pijama
com a mão trémula
a querer chegar a si
num gesto
curto, na imensa
surpresa.
Diniz Conefrey

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