segunda-feira, 11 de maio de 2026

TENHO INVEJA DA COZINHA DE MANHUFE

 


À 2ª os museus estão fechados.

É o nosso dia favorito para o picnic das confidências.

Olho para o Amadeo e falo-lhe da Vieira que tive nas mãos.

Fita-me abrindo os olhos no meio daquela partida de xadrez, como que a dizer: és um gajo sortudo.

Relembro a memória e agarro o repolho roxo do Eduardo Luíz.

Há que ter calma.

Só quero saborear aquele verde “pistache” do Mário Botas.

Sorrimos um para o outro.

Gosto da nossa malandragem, aponta ele.

Ok.

Tenho inveja da cozinha de Manhufe, atirei eu, em forma de convite.

Timidamente escondeu-se na viola, e ofereceu ao céu as cores que lhe faltavam.

Os galgos farejaram o nosso delírio e deitaram-se com o único deus que os soube criar.

Amadeo, saiu da tela, limpou os pés no pincel, e levou a cabeça do Santa-Rita para o passeio das horas sem tempo.

 

António de Miranda

1 comentário: